"As decadências não vêm depois dos apogeus. O apogeu já é decadência, porque sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascensional. " (Estando no topo da escada, rejeitando-se a estagnação, o próximo passo só pode ser o degrau de baixo... Ou seja, a decadência...)
“Entre o artista plástico e o músico está o poeta, que se avisinha do artista plástico com a sua produção consciente, enquanto atinge as possibilidades do músico no fundo obscuro do inconsciente”. De Wagner.
Minhas reivindicações? Liberdade. Uso dela; não abuso. Sei embridá-la nas minhas verdades filosóficas e religiosas; porque verdades filosóficas, religiosas, não são convencionais como a Arte, são verdades. Tanto não abuso! Não pretendo obrigar ninguém a seguir-me. Costumo andar sozinho.
Você está reparando de que maneira costumo andar sòzinho...
Dom Lirismo, ao desembarcar do Eldorado do Inconsciente
no cáis da terra do Consciente, é inspeccionado pela visita médica, a Inteligência,
que o alimpa dos macaquinhos e de toda e qualquer doença que possa espalhar confusão, obscuridade na terrinha progressista.
Dom Lirismo sofre mais uma visita alfandegária, descoberta por Freud,
que a denominou Censura. Sou contrabandista! E contrário à lei da vacina obrigatória.
Parece que sou todo instinto... Não é verdade. Há no meu livro, e não me desagrada, tendência pronunciadamente intelectualista. Que quer você? Consigo passar minhas sedas sem pagar direitos. Mas é psicologicamente impossível livrar-me das injecções e dos tónicos.
O passado é lição para se meditar, não para reproduzir.
Por muitos anos procurei-me a mim mesmo. Achei. Agora não me digam que ando à procura da originalidade, porque já descobri onde ela estava, pertence-me, é minha...
Mário de Andrade - Paulicea Desvairada
http://www.letras.ufrj.br/litcult/os_escritores/mariodeandrade/ler.php?id=1
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário