Preciso tocar nesse assunto... Tenho pensado nisso durante todo o fim de semana... Costumo pensar, sabe?! "Qual a real função do saber???". Fiz pesquisas, li e reli vários escritos de pessoas ilustres de nosso conhecimento. Para quê serve o saber? Tentando imaginar o cenário do paraíso como sendo uma biblioteca, como mencionado por um amigo, desculpe-me querido, não consegui... Sou uma pessoa curiosa, pesquisadora, que normalmente pergunto os "porquês" que muitas vezes passam despercebidos da maioria da sociedade. Mas não quero saber por saber... Isso me soaria como uma necessidade de ser superior, de saber mais que todos, mesmo esse conhecimento não me tendo nenhuma utilidade... Analisando por esse ângulo, imagino que seja inútil saber tudo... Não preciso saber tudo para viver e ser feliz... Não preciso saber a velocidade da luz a não ser se for questionada a respeito, pois minha área de estudo e de atuação é finanças... Porque alguém me perguntaria qual a velocidade da luz a não ser para me testar??? Não preciso saber e acima de tudo, não preciso provar nada a ninguém... Há coisas que não estão dentro de minha área de atuação e nem de estudo, mas que, diferentemente da situação anterior, são coisas que me agradam, coisas que me atraem... Acho o máximo ouvir uma música e conseguir perceber quais os instrumentos usados, em que momento eles entram, seu desenvolvimento, o andamento rítmico, o estilo, o timbre... Não sou musicista, mas a música me atrai... Isso é um diferencial no meu interesse de saber... A arte em si me atrai, mas em especial a música... Não preciso saber tudo de um mesmo estilo musical , o que me atrai não é o estilo, o que me atrai é a música, a sonoridade, a possibilidade de comunicação através de acordes, notas, nonas, distorções... Qual a intenção de cada forma de tocar nas cordas de um violão ou guitarra, que tipo de pedais de efeito casariam bem em qual situação, a intrigante formação dos arranjos utilizados, o estilo de execução particular de cada músico... Aprendi até o que é pentatônica...rsrs... Ocupo meu tempo com coisas boas, com coisas que gosto de fazer, mas não perco meu tempo aprendendo coisas que nunca vou utilizar na minha vida... Prefiro viver... Compartilhar meus momentos com a minha família ou amigos numa conversa desinteressada na sala ou na cozinha... Não sei até quando os terei por perto, quero aproveitar bastante esses momentos que os tenho por perto... Quero deixar na lembrança de cada pessoa que me conhece ou conheceu, a imagem de uma pessoa que realmente soube viver, que não "perdeu" seu tempo aprendendo qual a composição da bomba atômica, pois sabia que jamais iria precisar fabricar uma... E se precisasse, não faria... Ouvi alguém dizendo que vive em função do saber... Saber tudo, de tudo... Tenho medo disso... Enquanto corre enlouquecidamente em função de aprender, livros, filmes, pesquisas, pode estar se esquecendo de viver... Simplesmente viver... A vida nos ensina muitas coisas... Muito valiosas mesmo.... Aliás, as melhores coisas que aprendi foi vivendo, foi conversando com pessoas diferentes, com ideologias diferentes, com experiências diferentes, foi "ganhando" meu tempo numa conversa interessantíssima com meu avô Patu em Mato Grosso... Foi passando a noite de natal acompanhando meu avô materno e muitos outros pacientes internados em um hospital em Conselheiro Lafaiete mesmo sabendo que no passado ele não tinha sido uma boa pessoa... A melhor coisa que aprendi na vida, é que estou viva... O mundo não conspira contra mim... Nem a favor... O mundo existe, e eu existo nele... Se eu morrer, ele vai continuar existindo, e eu, continuarei existindo na lembrança de pessoas que me conheceram e que pode ser que tenham gostado dessa experiência... Pois eu convivi... Eu vivi... E não vivi em função de saber... Eu aprendi para saber viver... Eu existi...
Paulo Freire foi um mestre a respeito do saber, de competência de vida. Para ele, aprender era conhecer melhor o que já se sabe para poder ter acesso a novos conhecimentos. Essa não era apenas uma técnica pedagógica mas um ato pedagógico e uma concepção de vida que parte do acolhimento, com respeito, de um ser que conhece e quer aprender mais. . Reconhecer uma competência ou habilidade estimula e motiva as pessoas a continuar aprendendo, e “pensar a sua prática para transformar-se".
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